Quarta-feira, 11 de Maio de 2011

Gostava de poder dizer que escrevo textos para aqui regularmente, escrevo muitos textos, mas 90% das vezes não os consigo postar aqui. Ou porque são demasiado pessoais, ou porque não tenho coragem de mostrar a minha loucura ao mundo. Hoje decidi escrever, não porque tenho tempo para desperdiçar (porque devia estar a estudar), mas porque sinto que tenho de escrever alguma coisa ou rebento.

 

Gostava de poder dizer que tenho andado feliz. A felicidade é subjectiva, ou quase inexistente, no meu ponto de vista. Não sei de onde vem, ou quanto tempo fica. È diferente para todos, sim, mas a felicidade para mim é ainda mais estranha, para alem de quase não vir, vem nos momentos mais... bem, nos momentos em que não devia vir. Vou tentar explicar isto da melhor maneira. As coisas que fazem os outros felizes fazem-me a mim triste, e vice-versa. Por exemplo, sair com os amigos normalmente é agradável. No meu caso, nem tanto. Porque sei que sempre que vou a algum lado com pessoas da minha turma acabo sempre por ficar num estado pior. Talvez porque sou ignorada e abandonada, ou porque preferia ter ficado em casa a chorar ou a fazer outras coisas depressivas. (Sim, sei que é um exemplo parvo, mas acho que é mais fácil para vocês compreenderem.) E sinto que a minha mente gosta de me enlouquecer. Tento libertar-me e deixar algo feliz entrar, mas sempre que tento acabo por voltar ao mesmo. Num momento estou calma, um segundo a seguir já estou a chorar porque algo que me fazia feliz é agora motivo para chorar.

Não sei se percebem, no fundo, nem eu percebo.

 

Quero sair disto, desta infelicidade toda, mas sempre que tento, pioro as coisas. Faço-o para ver se sinto alguma coisa, para me sentir viva, ou porque ver o sangue a escorrer faz-me pensar que, independentemente o que faça, continuo viva. Mas sei que se continuar assim não duro muito. Sabe bem, sabe incrivelmente bem nos primeiros segundos, mas depois vem o amargo sentimento de culpa, que me engole. Culpa pois no fundo sei que não o devia ter feito, que devia ter ficado quieta, que os segundos de adrenalina não igualam aos dias de sofrimento.

Parece que me estou a esqueçer de como é sentir-se viva, sem ter de sentir o dobro da dor aseguir.

Vou parar aqui. Estou demasiado transtornada para continuar a escrever.


Oiço: I Don't Care - Apocalyptica feat. Adam Gontier

publicado por Scarlet às 20:02 | link | kill someone